Diamantina apresenta projeto de Memorial dedicado à história da música
Iniciativa será apresentada em 8 de outubro, no Teatro Santa Izabel, e pretende reunir acervos, exposições e recursos interativos para preservar e compartilhar a tradição musical da cidade.
Das composições de Joaquim Emérico Lobo de Mesquita às serestas; das bandas tradicionais aos acordes da Vesperata; dos sons das procissões e festas religiosas aos corais, orquestras e manifestações populares. Em Diamantina, a música atravessa séculos e diferentes formas de expressão, compondo uma parte importante da identidade cultural da cidade. Essa trajetória será o tema do Memorial da Música de Diamantina, projeto que será apresentado ao público no dia 8 de outubro, às 20h, no Teatro Santa Izabel, com entrada franca.
A iniciativa da Prefeitura Municipal em parceria com o Festival de História (fHist) prevê a criação de um equipamento cultural permanente dedicado à história da música diamantinense desde o século XVIII e às suas conexões com a música brasileira. O projeto contempla exposição de longa duração, mostras temporárias, sala de projeções, núcleos de acervo documental e educativo, palco para apresentações e terminais interativos, reunindo registros históricos e recursos audiovisuais e tecnológicos.
A proposta é instalar o Memorial em um dos casarões do Centro Histórico que passam por reformas estruturais realizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Prefeitura, com recursos do PAC 2 do Governo Federal. Entre os imóveis considerados estão o antigo prédio da Intendência dos Diamantes e o Hotel Roberto, ambos destinados a usos culturais.
Uma tradição que atravessa gerações
Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1999, Diamantina conserva uma vida musical que se manifesta em diferentes espaços e ocasiões. A produção barroca dos séculos XVIII e XIX, tanto sacra quanto profana, integra essa história ao lado das serestas, bandas, corais, festas populares e celebrações religiosas. A Vesperata, com suas apresentações nas ruas e sacadas, tornou-se uma das expressões mais conhecidas dessa relação entre música e cidade.
Para Otto Sarkis, jornalista e um dos coordenadores do fHist, a musicalidade local foi um dos elementos que motivaram a concepção do Memorial. A ideia surgiu da percepção de que os espaços públicos restaurados poderiam abrigar equipamentos relacionados à tradição cultural de Diamantina, atendendo tanto aos moradores quanto aos visitantes.
Sarkis recorda que sua ligação com a cidade começou durante a mobilização pelo reconhecimento de Diamantina como Patrimônio Mundial pela Unesco. Naquele processo, afirma, a herança imaterial expressa pela música chamou sua atenção. O Memorial pretende dar visibilidade a essa dimensão da história local, reunindo não apenas documentos e objetos, mas também as vozes e experiências de quem mantém essa tradição em atividade.
A participação dos músicos e moradores será uma das etapas importantes da construção do projeto. Depoimentos, documentação e contribuições da comunidade deverão integrar o trabalho de pesquisa e organização do conteúdo, aproximando a instituição das pessoas que produzem e transmitem a cultura musical da cidade.
Memória e novos caminhos para o turismo cultural
A criação do Memorial também dialoga com a atividade turística de Diamantina, cuja movimentação se concentra em parte em eventos como Carnaval, Semana Santa, Corpus Christi, Vesperata, Motofest e Sertão Diamante.
Levantamento realizado em 2025 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, em parceria com a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), ouviu 823 visitantes durante esses eventos. Entre os entrevistados, 55,7% já haviam estado anteriormente na cidade.
A pesquisa também apontou que 52,6% dos visitantes permanecem de dois a três dias em Diamantina, enquanto 30,9% fazem viagens de apenas um dia. A expectativa da administração municipal é que um espaço dedicado à música amplie as possibilidades de visitação ao longo do ano, contribuindo para diversificar os roteiros culturais e reduzir a concentração do turismo nos períodos de grandes eventos.
A Vesperata é um exemplo da presença da música na experiência dos visitantes. Em 2025, sua temporada contou com 16 apresentações oficiais, público médio de 1,2 mil pessoas por edição e estimativa de 19,2 mil espectadores ao longo do ano. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Walter Cardoso, o Juninho, o Memorial poderá reunir registros das Vesperatas, serestas e bandas tradicionais, além de contribuir para a educação patrimonial e para a ampliação do circuito de museus do Centro Histórico.
Pesquisa, tecnologia e participação comunitária
O projeto prevê uma linha do tempo da musicalidade diamantinense, articulando acervos históricos e documentais a recursos audiovisuais e interativos. A elaboração desse conteúdo deverá envolver uma equipe técnica especializada e a colaboração da comunidade local.
A parceria entre a Prefeitura e o Festival de História foi formalizada por meio de um Termo de Cooperação Cultural com vigência até julho de 2027, sem transferência de recursos financeiros entre as partes. Pelo acordo, a equipe do fHist ficará responsável pelas gestões relacionadas ao projeto cultural, pela estruturação da proposta por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e pela prospecção de potenciais patrocinadores.
O projeto está enquadrado na Lei Rouanet, sob a Proposta Cultural nº 566.339, tendo como proponente a Stratégia Cultura e Comunicação. A implantação deverá ser viabilizada por meio de parcerias e patrocínios de empresas públicas e privadas.
A apresentação de outubro marca uma etapa do processo de criação do Memorial. A proposta é construir um espaço que reúna registros históricos e experiências contemporâneas, reconhecendo a música como patrimônio cultural e como prática presente na vida de Diamantina.
Serviço
Apresentação do projeto Memorial da Música de Diamantina
Data: quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Santa Izabel
Endereço: Praça Dom Joaquim, 166 – Centro Histórico, Diamantina (MG)
Entrada: franca

