Exposição em São Paulo reúne 400 obras do artista Fernando Lemos
Mostra no IMS Paulista cobre sete décadas de produção do artista luso-brasileiro, reunindo desenhos, fotografias, projetos gráficos e documentos inéditos.
O Instituto Moreira Salles (IMS Paulista) abre, no dia 19 de setembro, a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019). A mostra apresenta cerca de 400 itens, entre fotografias, desenhos, projetos e documentos — parte deles inédita —, pertencentes ao acervo mantido pelo instituto desde 2019 e à coleção da família do artista.
A abertura conta com uma conversa entre o curador Thyago Nogueira e convidados, às 11h, ocasião em que será lançado o catálogo da mostra. A publicação reúne mais de 300 obras e textos críticos assinados por pesquisadores e curadores.
Nascido em Lisboa, Lemos participou do movimento surrealista português no final da década de 1940. Em 1953, emigrou para o Brasil, fixando-se em São Paulo, onde viveu até sua morte. A vivência sob as ditaduras do Estado Novo português e do regime militar brasileiro marcou sua atuação política e a escolha por linguagens diversas ao longo de mais de 70 anos de produção.


Fotografia, desenho e atuação política
A seleção de obras está dividida em núcleos que percorrem diferentes fases e linguagens exploradas pelo artista. O segmento Desocultações reúne retratos em média exposição produzidos em Lisboa entre 1949 e 1952, período em que Lemos retratou intelectuais e artistas de sua geração. No Brasil, registrou figuras como Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, Wyllis de Castro e Hércules Barsotti, antes de se afastar temporariamente da fotografia.
A produção em papel ocupa lugar central na exposição, com núcleos dedicados ao desenho figurativo e abstrato. A série Desenhos inocentes, feita na década de 1950, aborda a anatomia humana. Já em Ritmos & melodias e Caligrafias, o foco passa para composições modulares, pesquisas gráficas e séries como Memórias (1984), impressa sobre placas de alumínio. A mostra traz ainda os Desenhos deficientes, nos quais Lemos trabalhou a partir da iconografia do símbolo internacional de acessibilidade.
O núcleo Arte no front documenta a atuação profissional e militante do artista. Estão expostas ilustrações para a imprensa, projetos de design gráfico — como o logotipo do Memorial da América Latina —, estampas criadas para a Rhodia e trabalhos editoriais. Entre estes últimos está a criação da editora infantil Giroflé, mantida em parceria com o escritor Sidónio Muralha até 1964, e projetos gráficos desenvolvidos para campanhas de anistia e direitos humanos.
A exposição encerra-se com o núcleo Sonhos e pesadelos, composto por pinturas, aquarelas e pela série Ex-fotos (2001-2009), na qual o artista realizou intervenções sobre superfícies fotográficas descartadas.
O projeto é realizado em parceria entre o IMS, a Fundação Cupertino Miranda e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Serviço
Quanto mais desejo, mais invento o que vejo
Curadoria: Thyago Nogueira
Abertura: 19 de setembro de 2026, às 11h
Visitação: de 19 de setembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027
Local: IMS Paulista
Entrada: Gratuita

