São Paulo celebra a memória coletiva na 10ª Semana Nacional de Arquivos
Arquivo Histórico Municipal promove debates, oficinas, cinema e atividades que aproximam o público da história da cidade e da preservação da memória coletiva.
Entre os dias 11 de junho e 12 de julho, a cidade de São Paulo celebra a 10ª Semana Nacional de Arquivos com uma programação gratuita que transforma o Arquivo Histórico Municipal (AHM) em um espaço de reflexão sobre memória, cidadania e acesso à informação.
Promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, a iniciativa tem como tema “Arquivos, Democracia e Justiça Social“, destacando o papel fundamental dos arquivos públicos na preservação da história, na garantia de direitos e no fortalecimento da participação democrática.
Mais do que guardar documentos, os arquivos ajudam a contar a trajetória das cidades e de seus habitantes. Ao abrir suas portas para atividades culturais, educativas e formativas, o Arquivo Histórico Municipal convida o público a conhecer de perto como a memória coletiva é construída, preservada e compartilhada.
Memória, território e representatividade
Entre os destaques da programação está a exibição comentada da série audiovisual Quem é essa rua?, produzida pelo Coletivo Alquimia P.A.M. Os encontros propõem uma reflexão sobre a presença — ou a ausência — de mulheres na nomenclatura das ruas paulistanas, abordando questões de gênero, memória urbana e representatividade.
A relação entre história e território também ganha espaço em uma roda de conversa com o Grupo Pandora de Teatro. A atividade apresenta pesquisas desenvolvidas pelo coletivo sobre importantes episódios da memória social da cidade, como a greve dos Queixadas, os trabalhadores da antiga Fábrica de Cimento Portland Perus e a descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco.
Cidade em jogo
A democratização do acesso à informação é outro eixo central da programação. Um dos lançamentos da semana é o jogo de cartas SuperSampa, criado para apresentar indicadores sociais e urbanos das 32 subprefeituras paulistanas de forma acessível e interativa.
Ilustrado com fotografias históricas pertencentes aos acervos do Arquivo Histórico Municipal, do Museu da Cidade de São Paulo e da Cohab, o jogo propõe uma nova maneira de compreender a complexidade urbana da capital.

Oficinas que preservam histórias
A programação também inclui atividades práticas voltadas à preservação da memória pessoal e coletiva. Na oficina Livro-Casa – Morada do Afeto, os participantes criam pequenas estruturas artesanais para guardar fotografias, cartas, tecidos e outros objetos carregados de significado afetivo.
Já a intervenção Arquivo Nômade – Postais na Praça convida os visitantes a escrever cartões-postais inspirados em imagens históricas da cidade, estimulando novas formas de conexão entre passado e presente.
Para quem deseja conhecer os bastidores da preservação documental, oficinas e visitas técnicas apresentam técnicas de conservação de fotografias, documentos e acervos históricos, demonstrando como esse trabalho é essencial para evitar o apagamento de memórias e garantir o acesso às futuras gerações.
Biblioteca Mário de Andrade avança na preservação digital
A Semana Nacional de Arquivos também marca um importante passo da Biblioteca Mário de Andrade na área da preservação digital. A instituição acaba de formalizar sua Política de Preservação Digital, estabelecendo diretrizes para garantir a autenticidade, integridade e acessibilidade de seus acervos digitais a longo prazo.
As novas normas definem padrões técnicos para armazenamento, processamento, rastreabilidade e conservação de documentos digitais, fortalecendo a proteção de um dos mais importantes patrimônios bibliográficos do país.
Cultura, memória e democracia
Ao reunir pesquisadores, artistas, bibliotecários, educadores e o público em geral, a 10ª Semana Nacional de Arquivos reforça a importância dos arquivos como espaços vivos de produção de conhecimento e exercício da cidadania.
Em tempos de excesso de informação e rápidas transformações tecnológicas, iniciativas como essa ajudam a lembrar que preservar documentos, histórias e experiências também é uma forma de preservar direitos, fortalecer identidades e construir futuros mais democráticos.
Serviço
10ª Semana Nacional de Arquivos
de 11 de junho a 12 de julho de 2026
Arquivo Histórico Municipal de São Paulo
Praça Coronel Fernando Prestes, 152 – Bom Retiro
Gratuita
Classificação Livre

Veja a programação completa:
A programação completa inclui exposições, rodas de conversa, oficinas, sessões de cinema e visitas técnicas voltadas à preservação da memória e ao acesso democrático à informação.
Exposição: Entre Memória e Representatividade – Obras do Acervo Bibliográfico da BAHM
Quando: Quinta (11) e sexta (12) às 9h e 13h
Onde: Saguão do AHM
Duração: 1h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Sinopse: Apresentação de obras do acervo bibliográfico da BAHM, observando os três eixos temáticos da 10ª Semana Nacional de Arquivos. Com maior destaque, serão exibidas as obras adquiridas nos últimos dois anos que dialogam com o tema proposto.
Roda de Conversa: Experiências de pesquisa no acervo do AHM
Quando: Quinta (11) às 10h
Onde: Sala 16 do AHM
Duração: 2h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Participantes: Raíssa Campos Marcondes (Doutoranda FAUUSP), Elisa Zocca (Doutoranda FAUUSP) e Larissa Oliveira (Mestranda UNIFESP).
Sinopse: Propondo um espaço de diálogo horizontal e colaborativo, a atividade convida pesquisadores que já se debruçaram sobre o fundo documental do AHM a relatar suas experiências concretas de manejo, interpretação e produção de conhecimento. A roda busca tensionar questões como a acessibilidade do arquivo, a política de preservação e o papel da pesquisa para o fortalecimento da memória democrática.
Roda de Conversa: Lançamento do jogo Super Sampa
Quando: Quinta (11) às 13h
Onde: Auditório do AHM
Duração: 1h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Participante: Luciana Pascarelli Santos (Geóloga e integrante da SMUL).
Sinopse: O SuperSampa é um jogo de cartas para entender e conhecer a cidade de São Paulo, ilustrado com imagens históricas das décadas de 1920 e 1980 provindas dos acervos do AHM, Museu da Cidade de SP e COHAB. A atividade aborda a função do jogo como ferramenta lúdica para debater indicadores urbanos e preservar a memória coletiva da cidade.
Visita Educativa/Técnica: Preservar para acessar – A conservação como garantia de direito à memória
Quando: Quinta (11) às 14h
Onde: Hall do AHM
Duração: 2h | Entrada: Inscrição prévia.
Participantes: Joana Asseff e Gabriela Gagliani (Equipe de Conservação do AHM).
Sinopse: A Supervisão de Conservação do Acervo (SCA) apresentará suas atividades e as práticas adotadas na preservação, com destaque para os desafios éticos e técnicos. A visita evidenciará como a degradação documental pode gerar lacunas na memória, reforçando a importância do trabalho de Conservação.
Cinema: Coletivo Alquimia P.A.M. apresenta “Quem é essa Rua”
Quando: Quinta (11) às 19h
Onde: Auditório do AHM
Duração: 1h30 | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Participantes: Luana Melinka, Marina Celestino e mediação de Gabie Pereira.
Sinopse: Roda de conversa sobre história social, território, memória coletiva e a falta de nomes de mulheres nas ruas de São Paulo. A partir de episódios selecionados da série “Quem é essa rua?” (Marielle Franco, Olga Benário, Elis Regina), as pesquisadoras pensarão a ocupação urbana sob a perspectiva de gênero.
Oficina: Livro-Casa – Morada do Afeto, com Camila Morita
Quando: Sexta (12) e sábado (13) às 10h
Onde: Sala 16 do AHM
Duração: 2h30 | Entrada: Inscrição prévia.
Sinopse: Construção manual de um Livro-Casa, estrutura que abriga memórias, imagens e palavras. Cada participante será convidado a pensar sobre aquilo que deseja preservar (fotografias, cartas, tecidos). Ao final, o encontro formará uma vila composta por casinhas afetivas.
Oficina: Documentação e acervo – a prática arquivística em arquivos de arte
Quando: Sexta (12) às 10h
Onde: Auditório do AHM
Duração: 2h | Entrada: Inscrição prévia.
Participante: Thais Ferreira Dias (Arquivo Histórico Wanda Svevo – Bienal de SP).
Sinopse: Introdução à metodologia de gestão de acervo permanente, com foco na documentação textual. Haverá atividade prática de classificação e notação de documentos, a partir de exemplos relacionados a acervos de arte.

Roda de Conversa: Vivências em bibliotecas públicas – desafios e possibilidades no acesso ao conhecimento
Quando: Sexta (12) às 14h
Onde: Auditório do AHM
Duração: 2h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Participantes: Daniela Momozaki e Patrícia Helena.
Sinopse: Encontro de memórias e reflexões a partir das vivências de bibliotecárias que atuam em espaços públicos. O diálogo destaca o papel das bibliotecas como redutos de inclusão, cidadania e fortalecimento da democracia.
Intervenção: Arquivo Nômade – Postais na Praça
Quando: Sexta (12) às 14h30
Onde: Calçada da fachada do AHM
Duração: 1h30 | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Sinopse: O Núcleo Educativo convida o público para um exercício de escrita de cartões-postais com imagens do acervo do AHM, estimulando a troca não-instantânea e o repensar das relações de tempo e memória com o território paulistano.
Oficina: Guardar para conservar – produção de acondicionamento para documentos e fotografias
Quando: Sexta (12) às 15h30
Onde: Sala 16 do AHM
Duração: 2h | Entrada: Inscrição prévia.
Participante: Milena Godoy dos Santos (Arquivo Histórico Wanda Svevo – Bienal de SP).
Sinopse: Noções básicas de conservação preventiva com foco em acondicionamento para documentos textuais e fotografias. A atividade abordará os principais agentes de deterioração, cuidados de manuseio e incluirá uma parte prática de confecção de invólucros.
Cinema: Coletivo Alquimia P.A.M. apresenta “Quem é essa Rua” (Resistências)
Quando: Sábado (13) às 14h
Onde: Auditório do AHM
Duração: 2h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Participantes: Raul Carlos, Guilherme Bertolino, Luana Melinka e mediação de Diego Henrique.
Sinopse: Focada no tema “Resistências e Brasilidades”, a roda traz histórias de movimentos sociais e pessoas que se levantaram contra opressões. A conversa segue a exibição de episódios focados em movimentos revolucionários históricos (Carlos Marighella, Quilombo dos Palmares, Chico Mendes).
Roda de Conversa: Memória e Território – A pesquisa do Grupo Pandora de Teatro no bairro de Perus
Quando: Sábado (13) às 14h
Onde: Sala 26 do AHM
Duração: 2h | Entrada: Sem necessidade de agendamento
Sinopse: O Grupo Pandora de Teatro apresenta sua pesquisa “Teatro, Memória e Território”, investigando dois marcos do repertório do grupo: “Relicário de Concreto” (2013), sobre os trabalhadores da Fábrica de Cimento Portland Perus, e “Comum” (2018), inspirado na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco.

