CanaisIdentidadesLançamentos

Salão do Artesanato Raízes Brasileiras vai até domingo na Bienal do Ibirapuera

Um evento imperdível com a cara do Brasil e suas multiplicidades e oportunidades. Entre esculturas, bordados, joias botânicas e sabores regionais, o Salão do Artesanato transforma a Bienal em um retrato vivo da cultura popular brasileira.

O Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, recebe até domingo (17/05) a 22ª edição do Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras, evento que reúne mais de 700 artesãos de todos os estados e do Distrito Federal em uma ampla mostra da produção artesanal contemporânea do país.

Com entrada gratuita, a feira ocupa mais de 10 mil metros quadrados e combina exposição, venda de peças, oficinas, música ao vivo e gastronomia regional. A proposta é transformar o espaço em um percurso pelas diferentes identidades culturais brasileiras, tendo o artesanato como eixo principal.

De Iguape, no litoral paulista, o artesão Fernando Guiginski transforma sementes e madeiras em instrumentos autorais. Foto divulgação
De Iguape, no litoral paulista, o artesão Fernando Guiginski transforma sementes e madeiras em instrumentos autorais. Foto divulgação

Gastronomia

O Salão do Artesanato traz delícias de diferentes regiões do Brasil. Entre elas, por exemplo, as bolachas de castanha-do-pará do Rio Grande do Norte; doces, geleias, cachaças e queijos mineiros; além das castanhas de caju glaceadas, snack crocante popular no Nordeste, especialmente em Pernambuco, onde combina tradição e especiarias. Entre os pratos salgados, destaque para o sanduíche de linguiça de Bragança Paulista, patrimônio gastronômico artesanal do interior de São Paulo, preparado pela chef Patricia Polato, além da rica culinária baiana, que harmoniza bem com cervejas artesanais.

A culinária baiana é um dos destaques do Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras, que reúne sabores típicos de diferentes regiões do país. Foto divulgação
A culinária baiana é um dos destaques do Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras, que reúne sabores típicos de diferentes regiões do país. Foto divulgação

Conheça alguns dos mestres e artesãos de diferentes estados presentes nesta edição:

  • Goiás — artesã Fatinha:

A delicadeza da palha de milho ganha contornos de devoção nas mãos da artesã. Conhecida pelas esculturas sacras produzidas a partir da fibra natural, ela cria santas e figuras religiosas repletas de leveza e riqueza de detalhes. A artesã costuma recordar que sua primeira boneca na infância, foi feita com uma espiga de milho na roça, gesto simples que acabou definindo toda a sua trajetória artística. O reconhecimento internacional veio quando uma de suas peças foi entregue ao Papa.

  • Rio Grande do Norte — Mestre Brasa:

Mestre Brasa apresenta esculturas em madeira que impressionam pela força expressiva e pela conexão com o imaginário popular nordestino. Figura tradicional e muito aguardada no Salão do Artesanato, o artista é reconhecido pela capacidade de transformar a madeira em personagens, cenas e símbolos carregados de identidade, memória e regionalidade.

  • Pernambuco — Marcos de Sertânia:

Há cerca de quatro décadas, Marcos de Sertânia dedica sua trajetória à escultura em madeira inspirada na vida do sertão nordestino. Suas obras retratam retirantes, trabalhadores rurais e figuras marcadas pela seca e pela resistência cotidiana do povo sertanejo. Entre suas criações mais reconhecidas estão as cadelinhas inspiradas na personagem Baleia, do romance Vidas Secas.

  • Distrito Federal — Felipe Andrade:

O artesão define a si mesmo como “um artista que nasceu na pandemia”. Foi durante o período de isolamento que encontrou nas dobraduras de arame uma alternativa de sustento e expressão artística. Hoje, suas luminárias e esculturas reproduzem árvores do Cerrado, especialmente os ipês em diferentes cores.

  • Goiás — Sabrina Bonfim:

A artesã apresenta suas chamadas “joias botânicas”, peças produzidas com flores, folhas e elementos naturais do Cerrado eternizados em resina. Seu trabalho combina design contemporâneo, memória afetiva e preservação simbólica da flora brasileira.

  • Alagoas — Mestre Jasson Artesão:

Do sertão de Belo Monte, ele transforma galhos e pedaços de árvores da caatinga em obras carregadas de força, cor e imaginação. Entre carrancas, pássaros e cadeiras ornamentadas, suas criações parecem narrar histórias da terra que as inspira — revelando a memória, a resistência e a poesia do sertão alagoano. Suas obras são vendidas no mundo inteiro.

A capixaba Cristina Lauterman transforma escamas de peixe em delicadas flores ornamentais, unindo sustentabilidade e sofisticação. Foto divulgação
A capixaba Cristina Lauterman transforma escamas de peixe em delicadas flores ornamentais, unindo sustentabilidade e sofisticação. Foto divulgação
  • Santa Catarina — Schaiana Silveira:

Terceira geração de rendeiras, a artesã preserva uma tradição familiar ligada à renda de bilro. Ao mesmo tempo em que mantém viva a técnica tradicional, amplia os usos da renda ao incorporá-la em camafeus, almofadas, vestidos de noiva e chemises.

  • Espírito Santo — Cristina Lauterman:

Utilizando escamas de peixe, a artesã cria flores ornamentais que impressionam pela leveza e sofisticação visual, revelando novas possibilidades de reaproveitamento criativo de recursos naturais.

  • São Paulo — Fernando Guiginski:

De Iguape, no litoral paulista, o artesão e pesquisador sonoro Fernando Guiginski cria verdadeiras “florestas sonoras” a partir de sementes, madeiras descartadas pela natureza e outros elementos orgânicos. Seu trabalho reúne arte, sustentabilidade e experimentação musical em instrumentos autorais.

A artesã goiana Fatinha transforma palha de milho em delicadas esculturas sacras. Foto divulgação
A artesã goiana Fatinha transforma palha de milho em delicadas esculturas sacras. Foto divulgação

Realizada pela Rome Eventos, a 22ª edição do Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras conta com o patrocínio do Mãos e Mentes Paulistanas, programa vinculado à Prefeitura de São Paulo, do Banco do Nordeste do Brasil e da ApexBrasil, agência ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O evento conta ainda com a parceria do Sebrae e do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), iniciativa vinculada ao Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP).

Serviço

22º Salão do Artesanato — Raízes Brasileiras
De 13 a 17 de maio de 2026
Pavilhão da Bienal — Parque Ibirapuera — São Paulo (SP)
Quarta a sexta-feira: das 14h às 21h
Sábado e domingo: das 10h às 21h
Entrada franca
Pet friendly