Festival transforma Ouro Preto em ponto de encontro entre arte, música e tecnologia
Durante dois dias, Ouro Preto volta a reunir artistas, pesquisadores e criadores do Brasil, Paraguai, Argentina e Uganda para a sexta edição do MARTE Festival, evento que investiga as relações entre música, arte contemporânea, tecnologia e patrimônio histórico.
Com entrada gratuita, a programação ocupa a Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência e a Casa Câmara, propondo um diálogo entre criação artística, memória e inovação.
Guiado pelo tema “O Futuro é Ancestral — e vem do Sul Global”, o festival parte da ideia de que as experiências culturais produzidas na América Latina, na África e em outros territórios do Sul Global oferecem novas perspectivas para pensar tecnologia, identidade e produção artística contemporânea. Ao longo de sua trajetória, iniciada em 2017, o MARTE consolidou-se como um dos principais festivais brasileiros dedicados à convergência entre diferentes linguagens, entendendo tecnologia não apenas como recurso digital, mas também como técnica, conhecimento e forma de expressão.
Música entre ancestralidade e experimentação
A programação reúne artistas de diferentes gerações e países, refletindo a diversidade estética que caracteriza o festival. Entre os destaques brasileiros está o trio Metá Metá, referência internacional pela combinação de música afro-brasileira, free jazz, rock e improvisação. Também participa Assucena, que apresenta o espetáculo Coração Americano, dedicado ao repertório latino-americano.
A presença indígena ganha destaque com Djuena Tikuna, uma das principais vozes da música indígena contemporânea brasileira, enquanto o duo paraguaio Purahéi Soul aproxima o idioma guarani do jazz, do folk e da música latino-americana. Da Argentina chegam o projeto Otros Aires, conhecido por reinventar o tango por meio da música eletrônica e do videomapping, e a cantora Catalina Telerman.
O festival recebe ainda a pesquisa sonora de Craca & Sandra X, o trabalho da cantora e pesquisadora Estela Ceregatti, além da performance do produtor ugandense Faizal Mostrixx, cuja obra aproxima música eletrônica, afrofuturismo e espiritualidade africana. O encerramento fica por conta do paraense Félix Robatto, que percorre sonoridades amazônicas como guitarrada, lambada e carimbó.

Patrimônio histórico como suporte para arte contemporânea
Além dos shows, o MARTE transforma o centro histórico de Ouro Preto em espaço para intervenções visuais. O público poderá acompanhar as performances aéreas da Cia Base Vertical e o espetáculo de laser mapping de Homem Gaiola, que utiliza a fachada do Museu da Inconfidência como tela para projeções monumentais, aproximando patrimônio arquitetônico e arte digital.
A abertura do festival será marcada pelo cortejo da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz, reforçando o diálogo entre manifestações tradicionais e linguagens contemporâneas.
MARTE Lab amplia o debate sobre cultura e tecnologia
A programação formativa acontece paralelamente aos espetáculos, reunindo pesquisadores, artistas e especialistas para discutir temas centrais da cultura contemporânea. Entre os assuntos abordados estão inteligência artificial, racismo algorítmico, colonialismo tecnológico, patrimônio cultural, espiritualidade, memória, direitos autorais e circulação internacional da música.
Participam dos encontros nomes como Sérgio Amadeu, Tarcízio Silva, Tatiana Nascimento, Uýra Sodoma, Aline Motta, Giselle Beiguelman, Fernanda Takai, Tulipa Ruiz e representantes da União Brasileira de Compositores (UBC), ampliando o diálogo entre produção artística, pesquisa e políticas culturais.

Um festival que conecta passado e futuro
Desde sua criação, o MARTE vem construindo uma trajetória marcada pela experimentação e pelo encontro entre diferentes áreas do conhecimento. Ao longo de suas edições passaram pelo festival artistas como João Bosco, Tulipa Ruiz, Curumin, Russo Passapusso, Juçara Marçal, Tuyo, Edgar, Getúlio Abelha, Luiza Lian, Fausto Fawcett e Agnes Nunes, além de instalações, performances, oficinas e experiências audiovisuais.
Ao ocupar um dos mais importantes conjuntos urbanos coloniais do país, o festival reafirma Ouro Preto como espaço de diálogo entre patrimônio histórico, criação contemporânea e inovação artística, aproximando públicos diversos de experiências que conectam música, pensamento e tecnologia a partir das múltiplas culturas do Sul Global.
SERVIÇO
MARTE Festival 2026
Data: 24 e 25 de julho de 2026
Shows: Praça Tiradentes – Ouro Preto (MG)
MARTE Lab: Casa Câmara (Rua Alvarenga, 12 — Cabeças, Ouro Preto – MG)
Participação gratuita
Mais informações: https://www.martefestival.com.br/ | @martefestivaloficial


