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19º Festival Visões Periféricas leva à IC Play curtas sobre memória, território e resistência

Seleção reúne 11 produções de dez estados brasileiros que exploram diferentes experiências sociais, culturais e ambientais por meio da ficção e do documentário.

Entre os dias 23 de julho e 6 de agosto, a Itaú Cultural Play (IC Play) integra a programação do “19º Festival Visões Periféricas” com a mostra “Viver Apesar de Tudo”, reunindo 11 curtas-metragens de realizadores de dez estados brasileiros.

Com curadoria do pesquisador “Wilq Vicente” e da cineasta indígena “Olinda Tupinambá”, a seleção propõe um percurso por narrativas que abordam memória, deslocamentos, pertencimento, identidade, relações com o território e diferentes formas de organização da vida coletiva.

A mostra apresenta documentários, dramas e uma ficção científica, compondo um panorama da produção audiovisual contemporânea realizada em diferentes contextos sociais e geográficos. Praias, periferias urbanas, assentamentos da reforma agrária, aldeias indígenas, comunidades amazônicas e cidades do interior tornam-se cenários para histórias que refletem sobre os desafios do presente e as múltiplas formas de construir vínculos com os lugares e com a memória.

Além de integrar o circuito oficial do festival, realizado presencialmente entre “23 e 26 de julho”, no Rio de Janeiro, a Itaú Cultural Play concederá o “Prêmio IC Play” a um dos filmes participantes, ampliando a circulação das obras e fortalecendo o diálogo entre festivais e plataformas dedicadas ao cinema brasileiro.

Desde sua criação, a plataforma consolidou-se como um espaço voltado à preservação e difusão do audiovisual nacional. Em cinco anos de atividade, já disponibilizou “1.863 produções”, mantém atualmente um catálogo com “559 títulos” e estabeleceu parcerias com “29 festivais de cinema”, reunindo obras de todos os estados brasileiros. Atualmente, a IC Play oferece “21 mostras temáticas”, contribuindo para ampliar o acesso a diferentes expressões do cinema produzido no país.

Sou Jazz_Foto divulgação_IC Play
Sou Jazz_Foto divulgação_IC Play

Narrativas que atravessam o Brasil contemporâneo

A seleção percorre diferentes regiões brasileiras por meio de personagens e situações que revelam questões ligadas ao cotidiano, à memória e às transformações sociais.

O cearense “Ponte Metálica” (2024), de “Felipe Bruno” e “Wes Maria”, acompanha o encontro entre dois jovens na Praia do Poço da Draga, em Fortaleza, construindo uma delicada narrativa sobre afeto, descobertas e pertencimento.

No documentário “Imigrante/Habitante” (RS, 2025), “Cassio Tolpolar” acompanha as trajetórias de três pessoas que reconstruíram suas vidas em Porto Alegre, refletindo sobre permanência, identidade e adaptação em um novo país. O filme também integrou a programação do Festival de Cinema de Gramado e do Festival Taguá de Cinema.

Em “Mundinho” (BA, 2025), “Lúcio Lima” utiliza o período da pandemia para discutir relações familiares, precariedade econômica e escolhas cotidianas. O curta recebeu os prêmios de Melhor Curta de Ficção e Melhor Atriz para “Cyria Coentro” no Festival de Cinema de Trancoso.

Já “Sou Jazz” (SP, 2025), dirigido por “Adnes Sousa”, aproxima o universo do jazz das experiências musicais desenvolvidas em Paraisópolis, revelando como a prática artística se insere na vida cultural da comunidade.

Nilsão_Foto divulgação_IC Play
Nilsão_Foto divulgação_IC Play

Também integra a mostra “Maracatu Liberta” (SC, 2025), de “Rita Oenning da Silva”, documentário dedicado às experiências de famílias negras que encontraram no maracatu um espaço de fortalecimento cultural e construção de identidade. O filme recebeu reconhecimento em festivais nacionais e internacionais.

A programação inclui ainda “Insustentável: a realidade do petróleo na Amazônia” (DF, 2025), documentário colaborativo de “André Borges” e “Fer Ligabue” que investiga os impactos sociais e ambientais da exploração petrolífera na Bacia do Solimões, acompanhando comunidades diretamente afetadas pela atividade.

No drama “Mansos” (MT, 2025), “Juliana Segóvia” constrói uma narrativa marcada pela memória da violência e seus desdobramentos sobre a vida de sua protagonista. Em “Nilsão” (RN, 2025), de “Nícolas de Sousa”, um artesão transforma materiais recicláveis em obras que ressignificam o cotidiano e apontam possibilidades de criação a partir do reaproveitamento.

A imaginação surge como elemento central em “Aurora” (SP, 2025), de “Bruna Lessa”, no qual uma menina cria uma narrativa fantástica para elaborar o desaparecimento do pai após o rompimento de uma barragem.

Representando a ficção científica, “Dynamite Som – O Futuro é Lamento Negro” (PE, 2026), de “Lia Letícia” e “Pedro Severien”, imagina um futuro em que música e dança desapareceram. A viagem ao passado em busca da memória do grupo afro-cultural “Lamento Negro” transforma o filme em uma reflexão sobre patrimônio imaterial, memória e transmissão cultural, preservando também o último depoimento de “Mestre Mau”, importante liderança do grupo.

Dynamite Som_Foto divulgação_IC Play
Dynamite Som_Foto divulgação_IC Play

Encerrando a seleção, “Canto da Terra” (MG, 2025), de “André Luiz Barcelos” e “Danilo Vieira”, acompanha o cotidiano do agricultor, raizeiro e assentado “Pedro Eustáquio”, articulando saberes tradicionais, agricultura e relações entre cultura e natureza.

Com “Viver Apesar de Tudo”, o Festival Visões Periféricas amplia a circulação de um conjunto de obras que evidencia a diversidade estética e temática do curta-metragem brasileiro contemporâneo, reunindo diferentes modos de narrar experiências ligadas ao território, à memória e às transformações sociais.

A mostra estará disponível gratuitamente na Itaú Cultural Play entre 23 de julho e 6 de agosto.

FICHA E SINOPSES DOS FILMES

Ponte metálica
de Felipe Bruno e Wes Maria (drama, 17 min, Ceará, 2024)
Classificação indicativa: A16 — Consumo de droga ilícita
Sinopse: Tiago tem medo de nadar, mas decide pular do espigão. Silva, acostumado ao mar, vai ajudá-lo. Juntos na água e num passeio pela praia, os dois conversam para se conhecer e aproveitam a tarde ensolarada do Poço da Draga. O filme acompanha esse encontro e o que surge a partir dele.

Imigrante/Habitante
de Cassio Tolpolar (documentário, 21 min, Rio Grande do Sul, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Temas sensíveis, violência
Sinopse: As vidas de três imigrantes em Porto Alegre são conectadas quando estes questionam sua estabilidade e permanência no novo país.

Mundinho
de Lúcio Lima (drama, 20 min, Bahia, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Drogas, apostas ou jogos de azar, linguagem imprópria
Sinopse: Um conto de amor, em pleno lockdown. Sem nada melhor pra se fazer, Mundinho & Litinha começam a se reconectar como casal, revivendo loucuras de amor e fantasias esquecidas outrora em algum lugar do coração. No entanto, a falta de dinheiro e a fome vão apertando e eles tem que tomar uma decisão nada fácil: matar ou não a galinha Zefa, que tratam como uma filha.

Mundinho_Foto divulgação_IC Play
Mundinho_Foto divulgação_IC Play

Sou Jazz
de Adnes Sousa (documentário, 10 min, São Paulo, 2025)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Som é caminho. Cada nota abre e fecha uma porta. Instrumentos trilham destinos. Através de uma abordagem poética e imersiva, “Sou Jazz” busca trazer visibilidade a músicos da comunidade de Paraisópolis, reafirmar o caráter social e transformador da arte, e conduzir os espectadores em uma jornada reflexiva e sensorial acerca das relações estabelecidas entre o jazz e a periferia.

Maracatu Liberta
de Rita Oenning da Silva (documentário, 17 min, Santa Catarina, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Temas sensíveis, violência
Sinopse: “Na escola, a professora falava de diversas coisas, e disse que aquele menino alemão tinha a cultura dele; que a menina europeia tinha a dela… e eu pensei que eu não tinha cultura nenhuma.” Maracatu Liberta retrata a história de famílias negras que encontraram identidade, força e cultura no ritmo e no cortejo do Maracatu. Embora longe de suas raizes em Pernambuco, o maracatu oferece ao grupo esperança e pertencimento, assim como lhes possibilita trilhar um caminho para enfrentar o racismo.

Insustentável: a realidade do petróleo na Amazônia
de André Borges e Fer Ligabue (documentário, 20 min, Distrito Federal, 2025)
Classificação indicativa: não informada
Sinopse: A exploração de petróleo na Amazônia brasileira já é uma realidade há décadas, mas as riquezas prometidas pela exploração fóssil nunca foram uma realidade no cotidiano dos municípios afetados.

Mansos
de Juliana Segóvia (drama, 20 min, Mato Grosso, 2025)
Classificação indicativa: A14 — Temas sensíveis, violência
Sinopse: Marcada pelo assassinato da mãe, Benedita cresce determinada a continuar sua luta, e a transformar a dor em vingança.

Imigrante-Habitante_Foto divulgação_IC Play
Imigrante-Habitante_Foto divulgação_IC Play

Nilsão
de Nícolas de Sousa (documentário, 18 min, Rio Grande do Norte, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Temas sensíveis, violência
Sinopse: Nilsão é o retrato de um homem que assim como muitos brasileiros, não lhe foi dado o direito de sonhar. Através do artesanato, Nilsão criou um futuro diferente para si. Fazendo arte com reciclagem, Nilsão sabe que a hora de agir é sempre aqui e agora.

Aurora
de Bruna Lessa (drama, 19 min, São Paulo, 2025)
Classificação indicativa: A12 —Violência
Sinopse: Após um meteorito cair em seu quintal, Aurora acredita que seu pai, desaparecido no rompimento de uma barragem, virou minerador de asteroides. Ressignificando o luto ela fábula um novo elo de conexão.

Dynamite Som – O futuro é Lamento Negro
de Lia Letícia e Pedro Severien (ficção científica, 20 min, Pernambuco, 2026)
Classificação indicativa: A10 — Drogas lícitas, linguagem imprópria
Sinopse: As jovens Aleph e Dandara vivem em um mundo onde a música e a dança deixaram de existir. Determinadas a resgatar essas memórias apagadas e transformar o presente, embarcam em uma viagem ao passado. Elas encontram o grupo afro cultural Lamento Negro, originário de Peixinhos, Olinda. Juntos, planejam mandar esses arquivos para o futuro.

Canto da Terra
de André Luiz Barcelos e Danilo Vieira (documentário, 20 min, Minas Gerais, 2025)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Mergulhe na essência da vida e na sabedoria de quem conhece o “Canto da Terra”. O filme apresenta o cotidiano de Pedro Eustáquio, o Seu Pedro. Agricultor, raizeiro, homem da luta agrária e filho do cerrado. Vivendo no interior de um assentamento de reforma agrária, Seu Pedro, com seus 73 anos de idade e uma vida inteira dedicada ao campo, carrega nas mãos e nas histórias a memória viva da luta de um pequeno produtor rural. Entre o som dos pássaros na roça e o rufar dos tambores de Jack Will, a própria terra parece apresentar um show! O músico traz à cena o ritmo da natureza, transformando a paisagem em arte. Mais que um retrato íntimo, “Canto da Terra” é um convite a refletir sobre a importância de preservar a cultura e as tradições rurais, reconhecendo o papel essencial dos pequenos produtores na segurança alimentar das cidades. É uma celebração da harmonia entre o homem e a natureza, lembrando que cuidar da terra é, no fundo, cuidar de nós mesmos. A Terra é mãe, guia e música viva.

Canto da terra_Foto divulgação_IC Play
Canto da terra_Foto divulgação_IC Play

SERVIÇO

Estreia na Itaú Cultural Play
Viver Apesar de Tudo – Festival Visões Periféricas
23 de julho a 6 de agosto
www.itauculturalplay.com.br

Insustentável_Foto divulgação_IC Play
Insustentável_Foto divulgação_IC Play