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Mostra Sem Fronteiras trás temas como ancestralidade indígena, espiritualidade e memória

Reunindo longas e curtas-metragens de diferentes regiões do Brasil, a programação apresenta narrativas que fogem de estruturas convencionais.

A plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play (IC Play) estreia, em 29 de maio, a mostra Sem Fronteiras, dedicada a filmes que atravessam os limites entre realidade e imaginação, lucidez e delírio, memória e mito.

Reunindo produções de diferentes regiões do país, a seleção propõe um percurso por narrativas que questionam as fronteiras criadas pela sociedade e convidam o público a habitar territórios de incerteza, em obras marcadas pelo fantástico, pela ancestralidade e por diferentes formas de perceber o mundo.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em www.itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Estranho caminho_Foto divulgação_IC Play
Estranho caminho_Foto divulgação_IC Play

Os filmes

Dirigido por Guto Parente, Estranho caminho (Ceará, 2023) acompanha um jovem cineasta que, durante a pandemia de COVID-19, tem sua viagem interrompida e reencontra o pai após 10 anos sem contato. A partir desse retorno inesperado, acontecimentos estranhos passam a mudar a sua percepção da realidade. Exibido pela primeira vez no Tribeca Festival, o longa-metragem recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Fotografia na Competição Internacional de Dramas.

Em Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (Tocantins, 2018), coprodução entre Brasil e Portugal dirigida por João Salaviza e Renée Nader Messora, o jovem Ihjãc, da etnia Krahô, passa a ouvir o espírito do pai, que o convoca para se tornar xamã. Em conflito com esse chamado, ele deixa a aldeia e segue para a cidade, afastando-se de sua cultura e ancestralidade. Filmado em película 16 mm, o longa-metragem propõe uma linguagem híbrida entre documentário e ficção. Foi premiado na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

O curta-metragem de fantasia Entre as nuvens (Roraima, 2025), dirigido por Alex Pizano, acompanha dois garotos que, durante uma brincadeira em um campinho no lavrado de Roraima, observam algo misterioso surgindo entre as nuvens. A curiosidade leva os meninos a descobertas ligadas a segredos familiares e acontecimentos sobrenaturais. O filme integra a programação oficial do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte.

Na animação A menina e o pote (Pernambuco, 2024), de Valentina Homem e Tati Bond, uma menina vive em um futuro distópico. Ao quebrar um pote, ela libera sonhos e sementes responsáveis pela criação de um novo mundo. Realizado com a técnica de pintura sobre vidro e falado integralmente em Nheengatu, língua principal de alguns grupos indígenas da região do Alto Rio Negro (AM), o filme dialoga com cosmologias indígenas e investiga temas como ancestralidade, transformação e imaginação coletiva. A obra estreou na Semana da Crítica do Festival de Cannes e recebeu prêmios em outros festivais internacionais, como o 25º Festival de Cine Latinoamericano, o Barcelona Short Film International Festival e o Queer Lisboa.

Dirigido por Elisa Telles e Begê Muniz, Nhandê (Amazonas, 2025) acompanha Sara, uma menina de 12 anos que vive no Amazonas e começa a passar pelas transformações da adolescência. Entre acontecimentos sobrenaturais e visões de alguns rituais indígenas, a personagem desperta para questões sobre identidade, amadurecimento e ancestralidade. A narrativa é construída a partir de perspectivas femininas e dos anseios do fim da infância, equilibrando o olhar sobre a juventude e reflexões sobre as mazelas da humanidade.

Entre as nuvens_Foto divulgação_IC Play
Entre as nuvens_Foto divulgação_IC Play

Em Maira Porongyta – O aviso do céu (Mato Grosso, 2025), dirigido por Kujãesage Kaiabi, Itaarió é o criador do mundo e figura central entre os Mait, deuses do povo Kaiabi. Em uma reunião entre os demais Mait, Itaarió transmite um aviso inquietante vindo do céu. A produção integrou a programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes e parte de narrativas e cosmologias indígenas para construir sua dramaturgia.

Completa a programação As linhas da minha mão (Minas Gerais, 2023), documentário de João Dumans que acompanha a artista Viviane de Cássia Ferreira em sete atos que atravessam arte, liberdade e saúde mental. Sem seguir uma estrutura linear tradicional, o longa propõe novas formas de representação de personagens em situação de vulnerabilidade social, afastando-se de estereótipos e discursos simplificadores. O filme venceu o prêmio de Melhor Filme da Mostra Aurora na 26ª Mostra de Tiradentes.

FICHA E SINOPSES DOS FILMES

Estranho caminho
de Guto Parente (drama, 83 min, Ceará, 2023)
Classificação indicativa: 14 — Drogas, linguagem imprópria, temas sensíveis
Sinopse: Às vésperas da premiação de seu filme, um jovem cineasta tem sua viagem interrompida pelo avanço da pandemia de COVID-19. As surpresas apenas se intensificam quando, após dez anos, ele reencontra o pai. Sua visita inesperada acontece em paralelo a estranhos eventos que o fazem questionar a própria realidade.

Chuva é cantoria na aldeia dos mortos
de João Salaviza e Renée Nader Messora (drama, 114 min, Tocantins, 2018)
Classificação indicativa: livre — Nudez
Sinopse: Ihjãc, um jovem da etnia Krahô, da aldeia Pedra Branca, em Tocantins, ouve o espírito de seu pai, que o convoca para que se torne um xamã. Em negação, ele foge para a cidade. Distante da sua cultura e da sua ancestralidade, Ihjãc sentirá as consequências da sua decisão.

Entre as nuvens
de Alex Pizano (fantasia, 11 min, Roraima, 2025)
Classificação indicativa: A10 — Medo
Sinopse: Durante uma brincadeira de bola em um campinho no meio do lavrado, Davi e Marcus observam algo pairando sobre eles entre as nuvens. Movidos pela curiosidade, eles se aproximam cada vez mais de uma perigosa revelação que se conecta a mistérios antigos de suas famílias.

Chuva é cantoria na aldeia dos mortos_Foto divulgação_IC Play
Chuva é cantoria na aldeia dos mortos_Foto divulgação_IC Play

A menina e o pote
de Valentina Homem e Tati Bond (animação, 12 min, Pernambuco, 2024)
Classificação indicativa: A10 — Nudez
Sinopse: Em um futuro distópico, uma menina quebra um pote que liberta os sonhos e as sementes para a criação de um novo mundo. Em plena metamorfose, a jovem descobre que está prestes a ser remodelada junto com o novo universo do qual será a grande criadora.

Nhandê
de Elisa Telles e Begê Muniz (fantasia, 13 min, Amazonas, 2025)
Classificação indicativa: 12 — Temas sensíveis, violência
Sinopse: Sara tem 12 anos, mora no Amazonas e começa a se relacionar afetivamente com outros jovens de sua idade. No entanto, acontecimentos sobrenaturais e visões de alguns rituais indígenas, alteram a sua vida, despertando sua consciência.

Maira Porongyta – O aviso do céu
de Kujãesage Kaiabi (drama, 21 min, Mato Grosso, 2025)
Classificação indicativa: A12 — Drogas lícitas
Sinopse: “Itaarió, criador do mundo, é o mais poderoso entre os Mait, os deuses do povo Kaiabi. Ele convoca os outros Mait para uma reunião em sua casa no céu para transmitir um aviso inquietante.”

As linhas da minha mão
de João Dumans (documentário, 80 min, Minas Gerais, 2023)
Classificação indicativa: 14 — Drogas, temas sensíveis
Sinopse: Em sete atos, a artista Viviane de Cássia Ferreira percorre a arte e questões ligadas à saúde mental. O limiar entre ver a si mesma e os olhares externos levanta reflexões sobre as fronteiras da liberdade individual.

Nhandê_Foto divulgação_IC Play
Nhandê_Foto divulgação_IC Play

SERVIÇO

Estreia na Itaú Cultural Play
Sem Fronteiras
29 de maio
www.itauculturalplay.com.br

As linhas da minha mão_Foto divulgação_IC Play
As linhas da minha mão_Foto divulgação_IC Play