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Exposição reuniu mais de 800 artefatos de mais de 100 povos originários no Jardim Botânico de São Paulo

Mais do que apresentar objetos históricos, a exposição Povos Originários, em cartaz no Jardim Botânico de São Paulo, convida o público a percorrer milhares de anos da história dos povos indígenas que moldaram a diversidade cultural brasileira.

Reunindo mais de 800 peças originais pertencentes ao acervo do Instituto Cultural Soto, a mostra evidencia a riqueza de saberes, cosmologias, técnicas e formas de organização social preservadas por mais de uma centena de etnias.

Distribuída em núcleos temáticos, a exposição propõe um mergulho na memória dos povos originários, revelando como seus conhecimentos, rituais e modos de vida permanecem fundamentais para compreender a formação cultural do Brasil. O percurso reúne artefatos cerimoniais, utensílios cotidianos, adornos, armas, instrumentos e objetos simbólicos que testemunham diferentes formas de relação com o território, a natureza e a espiritualidade.

Entre as peças mais antigas estão vestígios arqueológicos com cerca de 11 mil anos, ampliando a perspectiva histórica sobre a ocupação humana do território brasileiro muito antes da colonização europeia. Ao longo da visita, o público acompanha diferentes momentos dessa trajetória, incluindo os impactos da expansão colonial sobre os povos indígenas e suas permanentes estratégias de resistência cultural.

divulgação - Jardim Botânico de São Paulo
divulgação – Jardim Botânico de São Paulo

Objetos raros revelam histórias de ancestralidade e resistência

Entre os destaques da mostra está a luva ritual de formigas tucandeiras, utilizada pelo povo Sateré-Mawé em um dos mais conhecidos ritos de passagem da Amazônia. Durante a cerimônia, jovens colocam as mãos em luvas repletas de formigas de picada extremamente dolorosa, simbolizando coragem, resistência e maturidade.

Outro exemplar de grande relevância é uma borduna cerimonial do povo Rikbaktsá, ornamentada com penas e cabelos naturais, utilizada como símbolo de liderança e autoridade dentro da comunidade.

A exposição dedica ainda um núcleo à trajetória do marechal Cândido Rondon, figura central na história do indigenismo brasileiro. O espaço reúne objetos pessoais, cartas de caráter humanitário e peças de seu cotidiano, como perneira militar, capacete e isqueiro, contextualizando sua atuação na criação do antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), instituição que antecedeu a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

divulgação - Jardim Botânico de São Paulo
divulgação – Jardim Botânico de São Paulo

Acervo valoriza patrimônio material e imaterial

A expografia foi concebida para destacar a materialidade dos objetos, utilizando iluminação em tons quentes que ressaltam fibras, madeiras, plumárias, cerâmicas e pigmentos naturais. O resultado é uma experiência que aproxima o visitante não apenas da beleza estética das peças, mas também de seus significados culturais, espirituais e históricos.

Ao reunir objetos produzidos por povos de diferentes regiões do país, a exposição reforça a pluralidade das culturas indígenas brasileiras, valorizando patrimônios materiais e imateriais que seguem vivos nas práticas, narrativas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Mais do que um conjunto de artefatos, Povos Originários apresenta um panorama sobre identidades, memória e diversidade cultural, contribuindo para ampliar o reconhecimento da presença indígena como parte essencial da história e do patrimônio cultural do Brasil.

divulgação - Jardim Botânico de São Paulo
divulgação – Jardim Botânico de São Paulo

Serviço

Exposição: Povos Originários
Local: Jardim Botânico de São Paulo
Horários:

  • Segunda a sexta: das 9h às 16h (permanência até 17h)
  • Sábados, domingos e feriados: das 9h às 17h (permanência até 18h)

A exposição está incluída no ingresso do Jardim Botânico.

Endereço: Avenida Miguel Estéfano, 3031 – Água Funda – São Paulo (SP).

divulgação - Jardim Botânico de São Paulo
divulgação – Jardim Botânico de São Paulo